quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Entregue


Muito prazer, pontas loiras. Me permita te chamar assim. Mas é que na foto daquela rede social você aparece de costas, com as pontas do cabelo loiras e brilhantes. Eu fiz mais ou menos as contas, e deu cerca de 27. Você é madura, experiente e tem o nariz bonito e empinado. Ele precisa de alguém assim, que olhe a vida com mais racionalidade, e não ache nenhuma graça quando ele derrama ketchup na blusa nova.
Eu espero que você o ajude a arrumar um emprego mais digno para o homem tão capaz que ele é. Que o ajude a descobrir que a vida tá aí pedindo um pouco mais de seriedade, que não seja as minhas idéias malucas e o pôr-do-sol que eu cismava em levar ele para ver aos domingos. O leve para tomar um café com pessoas importantes, falar um pouco mais de política, rir menos de piadas tolas. Ligue pelas manhãs. Lembre-o de tomar o remédio da insônia, ajeitar o despertador certo e o faça parar de cantar Jimi Hendrix com os vidros do carro abertos. Xingue-o muito até que ele sinta vergonha de tudo isso que ensinei.
Conheça sua família, não repare os escritos em vermelho que deixei na parede do seu quarto, e minhas fotos que continuam espalhadas. Não passa de descuido. Não demora muito, você já vai ajeitar de uma maneira menos torta as almofadas, alinhar os vidros de perfume, alimentar o peixe do aquário. E quando menos esperar, a cama já vai ter o seu cheiro e o móvel já vai apoiar sua foto. Tenha paciência.
Não se esqueça da alergia que ele tem a frutos do mar. O telefone de emergência fica no lado esquerdo de sua carteira. E nem hesite em ligar em casos extremos. O numero não é meu.
Diga que o ama. Por favor, diga que o ama muito, como nunca amou ninguém. Compense esse vazio que deixei. Preencha-o. Seja tão mulher como eu imagino que você seja e se entregue. Se entregue de corpo e alma e faça dele um homem a altura de tanto amor.
O leve para apresentações de jazz, teatros, palestras, exposições. Por trás desses olhos de menino, ele guarda um mundo inteiro. Você é capaz de amar esse universo todo que ele tem como eu nunca amei. Você, pontas loiras, é capaz de mostrá-lo o mundo como ele é. Sem minhas invenções, minhas loucuras, minhas viagens. Esse homem é um homem livre para reaprender.
Agora ele já pode ser só seu. Não me decepcione.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Destinatário: Polo Norte


Mulheres, mudei de opinião. E preciso me redimir. Quero pedir desculpa a meia dúzia de leitoras que no começo, bem no começo, liam meus textos apaixonados e acreditavam comigo que em todo mundo acontecia. Mudou. Acordei e tive a certeza. Foi difícil aceitar logo pela manhã, mas agora já passou das duas e digeri. Descobri: existem sim homens sem coração.
E eles não são culpados de serem assim. Só priorizam outras coisas boas – ou ruins – da vida, que exigem atenção de outros órgãos mais amigos do cérebro. Esses homens se amam muito. Possuem o coração inchado, inflado de si. Não falta o órgão, falta o uso. É como um jogo de tabuleiro sem as regras. Eles foram fabricados assim. Sem devolução. Nem adianta fazer o recall. A vida é cheia de escolhas e essas artérias de gelo preferiram não amar, porque amar dá trabalho, gasta tempo, em algum momento pode ser incerto. Para aqueles que possuem o inverno no peito, a incerteza requer muita coragem.
Não, não sintam dó desses homens. Não fiquem com raiva e preparem o salto vinte para jogar no meio das pernas desses caras. Eles são felizes assim. E tudo em volta fica feliz também, porque eles transbordam de emoção em sentimentos mais exatos. Sentam em mesas de bares tranqüilos, sem preocupações que precisam de sentimentalismos além da primeira dose do whisky. Imagine só, nunca mais sentir aquele apertinho que dá no peito quando alguém que a gente gosta some por horas e não dá notícia? Quando a gente se enche de “achismos” e cisma que ama? Essa vida “sem sentir”, “sem gostar” é um baita privilégio. Imagine mais, como deve ser gostoso não tentar se relacionar com essa parte obscura que nem Platão soube definir que é o Amor com a maiúsculo. Sem mais ironias, dá até um pouquinho de inveja. Ah, se eu pudesse me dar o luxo de não sentir… Seria uma colunista desempregada, mas talvez mais feliz.
Essa vida sem coração deve ser mesmo muito boa. Mas olha só, órgãos do pólo norte, you`ve got a message. Não sei se é fofoca, mas me contaram ontem que precisamos em algum momento da vida nos permitir sentir. Ou dá uma úlcera danada. Quem me contou não era médico, mas vai saber, né?

* Publicado na Coluna Neura. Você pode ler outros textos que escrevi para o blog O Peixe Fresco aqui.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sobre essas coisas que escrevo por aí


Existem muitas coisas chatas em escrever sobre relacionamento que eu não conto. Só as pessoas que convivem comigo sabem. Primeiro: gosto de Sex and The City, mas nunca quis ser a Carrie (me identifico mais com a Samantha, só que muito menos "pra frente"). E segundo: não sou tão forte quanto essas mulheres que falam sobre homens aparentam ser. Na real, sou muito fraca. Só que sou viciada em ajudar os outros. Em tentar entender todas as pessoas que conheço e principalmente suas dores. Eu acredito no sentimento do ser humano, mesmo depois de receber um e-mail de um leitor da minha coluna no Acidez Feminina dizendo que fez sexo com a irmã da namorada dele. E isso não é nem um terço do que chega. Eu insisto, sabe? Sou meio chata, vivo dando a cara a tapa, me relacionando com ratinhos de laboratório e continuo, fielmente, acreditando no amor. E ajudando os outros a acreditarem também.

Semana passada, no almoço de sábado, meu pai disse que eu devia mudar o nome "dessas coisas que você escreve por aí porque desse jeito assusta homem". Ele tem razão. Assusta mesmo. Quem não me conhece imagina que sou daquelas noiadas modernas que acham que sabem tudo, que descobrem traições como Sherlock Holmes e são liberais na cama só porque falam de sexo. Essa não é a mulher que eu queria ser e nem a mulher que sou. Já me peguei emocionada, lendo e-mail de uma leitora da minha coluna no Mundo Ela não porque estava de TPM, mas porque aquilo tudo que ela dizia e questionava na época era exatamente o que eu questionava no meu namoro. Porque, bom, eu assusto bofe, mas vez ou outra também atraio um corajoso ou curioso. E quando é assim, tenho amigas que fazem comigo o papel que eu faço nas colunas. O que fica vinte vezes mais difícil para elas. Porque nas colunas, estou discutindo com estranhos. Aconselhar quem conhecemos já não é tão fácil assim.

Gosto muito do que faço. Gosto tanto, que faço de meia noite às seis. Gosto tanto, tanto, que se ficar para titia, pelo menos anestesiei uma meia dúzia de corações aflitos. Comecei a escrever esse texto depois que recebi um e-mail que um leitor pergunta o que eu faço no meu dia-a-dia, se eu namorava, saía, vivia e em qual cidade morava. Achei engraçado.

E para aqueles que acham que eu só sei falar sobre relacionamentos e homens, enquanto escrevia este texto, conversava com um amigo no Gtalk sobre XBOX, cinema e bom... o relacionamento dele com a namorada.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cara chato


Nunca acreditei em destino, apesar de vez ou outra me surpreender com coincidências. Morar em Belo Horizonte e conviver nos mesmos ciclos sociais desde sempre, faz as pessoas - principalmente as mulheres - confiarem que "o destino colocou eu e o Bruno naquela festa estranha, e por isso precisamos reatar", ou "encontrei o Pedro na escada do prédio da amiga da minha prima e isso é um sinal de que ele é o homem da minha vida". Não, gente. Vamos parar com isso. Na minha opinião, dar de cara com ex na escada de qualquer prédio não passa de azar. E o destino ter colocado você e um cara na mesma festa estranha, não passa de falta de opção para onde ir - e de bom gosto. Você poderia dar de cara com um vizinho gato da prima da sua amiga e isso seria muito mais proveitoso. Ou ir á uma festa onde não conhecesse ninguém e tocasse músicas melhores.

Não é justo culpar o destino pelas nossas escolhas. Não é justo culpar o destino por sermos fracos de não conseguir tirar as pessoas das nossas vidas e seguir em frente. Como também não deve ser justo acreditar que as coisas vão voltar porque ele vai deixar. Esperando sentado no sofá. Sem fazer, sem se esforçar, sem mudar. Levanta, ué.
Porque cá para nós, se o destino é esse cara que vive colocando e tirando pessoas da nossa vida, ele é um puta cara chato.

domingo, 11 de dezembro de 2011

A muralha


Tudo começa no castelinho de areia. Eles se juntam em bando:

- E aí, quer brincar comigo?

- Quero. Qual seu nome?

- João, e o seu?

- Pedro Henrique.

E juntos, carregando cumplicidade ingênua nas areias de qualquer praia, enquanto seus pais bebem cerveja no quiosque, constroem castelos de areia em silêncio.
Pouco depois, aparece Maria:

- Oi, o quê vocês estão fazendo?

- Castelos. Quer brincar também?

- Quero. Qual seu nome?

- João, o dele é Pedro, e o seu?

- Maria.

- Já estamos no meio da construção do primeiro. Queremos fazer sete.

- Eu posso ajudar?

- Pode, mas o castelo já está quase pronto.

- Não, não está não. Falta nesse castelo janelas, portas, jardins, rei, princesa, mordomo, cachorro da rainha, periquito da duquesa e o bobo da corte.

E João e Pedro escutam com pouca atenção aos detalhes que Maria inventa para um amontoado de areia molhada. É que nessa hora, construir castelos perdeu a graça. É melhor mudar de brincadeira, e ir jogar frescobol.
Maria chora baixinho, corre pro colo da mãe. É que sem saber, sem querer, constata pela primeira vez na sua vida que homens são simples demais. E coloca de novo sua bóia rosa choque e vai colher conchinhas, assobiando a musica da Bela e a Fera. É que sem querer ela constata pela primeira vez outra coisa também: às vezes é melhor brincar sozinha.

Queria colocar Maria no colo e contar que o amor deve ser mais ou menos isso. Um construir castelos de areia juntos. E que vez ou outra, nos obriga a desprender de detalhes superficiais para que simplesmente funcione. Porque para proteger que a água do mar não venha e o destrua, só é necessário a construção de uma muralha. Se pudesse, diria mais a pequena Maria: brincar sozinha não tem a menor graça.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Meu sofrimento de luxo


Já faz vinte dias, mas não consigo parar de pensar em Taís. Vez ou outra congelo meu olhar em qualquer cena desimportante e lembro da moça. E meus olhos involuntariamente se enchem de lágrimas. Taís me marcou.
A conheci no avião. Eu, muito mau humorada, depois de agüentar na primeira escala de vôo, um bêbado panicado que havia tomado várias dozes de whisky para conseguir controlar seu medo de altura. Ela, carregando uma mochila rosa choque, um Ipod roxo e um sorriso sem-graça. Pediu licença e sentou no assento da janela. Agradeci a Deus por nessa próxima escala, não ser um obeso mórbido, uma senhora tagarela ou outro velho bêbado. Era só uma mocinha tranqüila, sem muita maquiagem no rosto, que não se importaria se eu fingisse de muda e fossemos até Recife como duas estátuas. Muito bem.
Eu lia um livro que leva o titulo “Por Falar em Amor”, da Marina Colassanti. Dez minutos de vôo, um cutucão e... “Moça, posso te fazer uma pergunta? Se você perdesse tudo da sua vida, ainda assim, você acreditaria no amor?”
Pausa.
Só podia ser alguma pegadinha. Abobada, procurei as câmeras. Custava aquela menina ir calada, lendo a revistinha de bordo? Custava ela substituir essa pergunta atômica que acabara de jogar no meu colo por algo mais simples como “Você poderia me dar licença para eu ir ao banheiro?”.
E eu não tinha ouvido coisa. Ela falou comigo, e me olhava, esperando uma resposta. Improvisei: “Oi? Ué... Amor, amor mesmo? Acho que não. Será? Ah, possivelmente sim. Não sei. Me desculpe, estou cansada e não sei responder”. Estávamos só decolando e ela começou a chorar igual criança. Se tirassem uma foto do momento, parecíamos duas amigas de infância. Ela me abraçando e molhando os meus ombros. E eu ali, super desajeitada, consolando uma estranha, ainda sem entender o que fazia ou poderia fazer. Desconcertada, perguntei o que estava acontecendo, pedi desculpas, mas disse que para ajudá-la precisava entender. E como quem conta o que comeu no almoço ontem, soltou: “Meu nome é Tais, prazer. Que vergonha. Me desculpe por tudo, é a primeira vez que ando de avião e isso me emociona porque meu marido ficaria muito feliz se estivesse comigo. Ele morreu em maio”, e me mostrou no seu celular fotos dos dois juntos no casamento, na lua de mel, na praia, no carnaval de salvador, na formatura da prima. Meu Deus, como aquilo começou a me doer. Era como se sem querer uma voz esganiçada repetisse no meu ouvido “e ela só deve ter uns 20 anos, e ela só deve ter uns 20 anos, e ela só deve ter uns 20 anos”. Engano meu. Ela tinha 19. Casou com 18.
Foi difícil não notar que a barriga de Tais estava um pouco “inchada”. Não ousei perguntar. Se havia alguém ali que ganhou a opção de se intrometer na vida de alguém, era ela na minha. Perdi todos os meus direitos como ser - humano sofrível. Eu era a Cinderella, morava no paraíso e meu mundo era colorido como o dos Ursinhos Carinhos. Ficar calada e escutar era a coisa mais humana que eu poderia fazer.
Nos 90 minutos de vôo, me rendi a ouvir varias historias bonitas do casamento. Ela se emocionava e chorava baixinho, escondendo educadamente a tristeza monstra que tinha no peito. O assento do avião se transformou em um divã. “Você já deve ter notado a minha barriga. Perdi nossa filha faz um mês, e ainda não estou totalmente recuperada. Ela ia nascer saudável, mas a medica que estava de plantão no hospital, não era a minha que acompanhou toda a gravidez. Ela se NEGOU a fazer o parto. Minha bolsa estourou e a criança não suportou esperar. Estou processando o hospital. Olha, nasceu morta, mas tirei uma foto. Maria Clara, olha só”, mostrou. E nessa hora eu chorei. Não deu, pedi arrego. Eu cedi e chorei. Eu quis muito que o avião descesse. Eu senti uma vontade imensa de gritar pra todo mundo o quão ridícula eu era por já ter sofrido por amores que fisicamente existiam na minha vida.
Não foi o destino e muito menos Deus que quis me dar uns belos socos no estômago e a colocou ao meu lado no avião. Como quem diz: Viu, Marcella? Sua sofredora de uma figa! Isso que é sofrer de verdade! Não. Não foi nada disso. Foi só a aeromoça que nos sorteou em qualquer assento, pouco preocupada a que passo andava nossos corações. Acontece. Coincidências da vida.
Vinte dias se passaram e eu continuo pensando o que é isso que as vezes chamo de desamor. Me odeio muito por ser fraca e depositar lágrimas em coisas tão pequenas.
Depois de tudo que ouvi de Taís, de todos arrepios que senti, francamente... “Sofrer” porque o cara não liga, porque o namoro acabou, porque fomos trocadas por loiras mais gostosas, pode até ser sofrimento. Mas não passa de sofrimento de luxo.
Tais levou de mim o abraço mais sincero quando pousamos em Recife. E se eu a visse de novo, em qualquer esquina do mundo, responderia: acho que existe amor sim, Taís. E torço para que você encontre de novo e do mais puro, pelo resto de sua vida.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Perfume doce


Entrei na casa da minha avó e tive vontade de chorar. Dessa vez ela não abriu a porta como habitualmente faz e pediu que Maria, sua dama de companhia, fosse me atender. Do canto da sala, sentada no sofá ela se embananava em meio à pedaços de lã e pedia perdão por não ter levantado e me recebido. “É que eu estava no último pontinho. Veja você, Marcellinha, estou fazendo uma manta para o bisneto”. Não era TPM, ovulação, nem nada. Nessa frase, pedi licença e fui ao banheiro. Desabei.

Sempre soube que o – tão esperado – bisneto não viria de mim. Devido à grande diferença de idade entre eu e meus três primos, se criasse barriga antes de qualquer um deles, seria um baita susto. Sempre fui a “Marcellinha”, netinha, caçulinha inconseqüente, mesmo depois de ter saído de casa e provado que sei andar de salto. Mas mesmo fora de mira e longe de qualquer pressão de casamento e gravidez, fui eu a grande confidente de vovó sempre que reclamava: Ah, não. Será que não sai bisneto nessa família? Que demora! Ouvi isso por anos.

Poucos sabem, e também não saio por aí contando tamanha intimidade, mas minha avó paterna é a minha grande paixão. Se eu acreditasse em almas gêmeas, diria que ela foi a minha em vidas passadas. O “S” no punho, que muita gente pergunta e recrimina achando que é homenagem a algum ex-namorado, é dela. Fiz enquanto ela passava umas temporadas no exterior, na casa da minha tia. Vovó é de 1920 e pouco sabe – e importa – sobre tatuagens. Acho mesmo que a enorme que tenho nas costas, ela ainda acredite que desapareça depois de uns banhos. Quando voltou de viagem e mostrei a ela a inicial do seu nome no meu punho, se emocionou. Continuou não entendendo bulhufas de tribais, maoris e borboletas que carrego no corpo, mas sempre que a acompanho em chás do seu grupo de velhinhas , abaixa a manga da minha blusa e diz: Está, vendo, Margarida? Fez pra mim!

Dona Sara criou três filhos, só amou uma vez na vida, mandou duas filhas para Israel, sustentou o filho que ficou no Brasil com o que pode e não pode, casou uma, casou e descasou dois, teve quatro netos – um em cada canto do mundo – e há 60 anos prepara os almoços de sábado religiosamente sem repetir cardápio. Nos seus últimos feitos, tem aprendido a conversar com a filha do Canadá pelo Skype. Mesmo que para isso, eu e meu pai – os únicos que moram na mesma cidade que ela - recebemos ligações aflitas no meio da semana, de Dona Sara reclamando que “essa internet está devagar demais,vocês precisam aqui ver isso logo, mexer nos fios, ligar pro rapaz que conserta! Fiz caldo de galinha, se quiserem vir tomar. É bom que dão uma olhadinha no meu laptoy (laptop)”.

O motivo real do meu choro eu ainda não sei explicar. Nem a minha analista soube. Acho que me bateu uma grande interrogação do que vem depois. De como seria possível respirar feliz não sentindo aquele cheiro de perfume doce que gruda no meu pescoço por horas. De como o mundo fica mais bonito e sincero com ela fazendo parte dele.
Mas que grande besteira pensar nisso agora. Mudamos de assunto, porque hoje é dia de lasanha e eu não posso me atrasar ou fico sem a sobremesa. Fui.