terça-feira, 19 de junho de 2012

MUDANÇA DE BLOG

Pessoal, agora o Metade da Laranja virou Sem Clichê!
Não postarei mais nesse endereço.


Acompanhem por lá: http://www.semcliche.com.br


Muito obrigada por esses dois anos incríveis.


Um beijo grande.


Marcella Brafman
@mabrafman

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Novos modelos de negócio




Delivery de namorado (a) para domingos: Esse tem tudo para ser um sucesso. Outro dia anunciei no Twitter e em menos de dez minutos tive seis pedidos. Pessoas loiras, morenas, ruivas, negras, brancas, mestiças, japoneses... Vai ter de tudo. O negócio é tranqüilo e ingênuo, nada de pensar besteirinhas. Você liga e encomenda o(a) namorado(a) e ele(a) chega na sua casa em apenas vinte minutos, a tempo de deitar com você no sofá e assistir ao Faustão. Caso queira esticar a conchinha até o Fantástico, o preço dobra. A única regra é não se apaixonar pelo “domingueiro de aluguel”. Pagando uma taxa extra, eu até consigo combinar com São Pedro para que chova. 

Aluguel de amigo gay para ir ao shopping: Nossa rotina anda muito acelerada, e quase não conseguimos recrutar uma amiga que também é super ocupada para ir ao shopping. Por isso, dê um basta para aquela vendedora que tenta te convencer que você está a cara da Lana del rey com aquela saia amarela de bolinhas verdes! O aluguel de amigo gay oferecerá as beshas mais sinceras e de bom gosto da cidade. A regra é não confundir o amigo gay com um amigo gay psicólogo, portanto, poupe a bee dos seus problemas pessoais. Você pode pedir a opção combo 5: amigo gay + amigo hétero para segurar as sacolas.

Água com Rivotril: Uma vez me contaram essa ideia e adorei – ela não é originalmente minha, mas estou aí para dar a porcentagem de créditos. Se vendesse por aí Rivotril misturado com água, o mundo seria uma música de Bib Marley. Só não pode exagerar, pois dizem que afeta a memória. E o que eu tava contando mesmo?

Aluguel de pessoas lindas e divertidas para te representarem em aniversários: Sabe aquela boate que você odeia e que um amigo “mais ou menos (só que mais pra mais) próximo” decide comemorar o aniversário lá? E aquele dia, que você tem três aniversários de três amigos e já está se sentindo velho para pular de festa para festa? Envie uma pessoa linda e divertida para ir no seu lugar. Com acréscimo de 50 reais, ela ainda leva o presente e faz discurso depois do parabéns. 

Word com corretor automático de gerúndio e um alerta que pisca e avisa “você tem certeza que vai publicar esse texto horroroso em algum lugar?”: não preciso nem explicar a utilidade enorme dessa invenção, né?

Se alguém quiser investir, meu e-mail é marcellabrafman@gmail.com

E é claro que vocês sabem que eu estou brincando.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Confusão na firma





- Olha, coração, ta difícil, cara. Você tem me feito de bobo pra todo mundo.

 - Calma, cérebro, fala baixo. Você e essa mania de falar tudo bem alto, como se não soubesse que sou 40% surdo…

 - É esse o problema, meu amigo. Eu grito e você não escuta. Entra por uma artéria e sai pela outra.

 - Não exagera.

 - Exagero é o tanto que você já se machucou. Sorte sua que preciso de você para outras tarefas, além de se apaixonar. Tipo, bater mais forte quando vê os sapatos da nova coleção da Schutz. Se não fosse por isso…

 - Você sempre grosso, pouco se lixando para os meus sentimentos… Só porque é cérebro acha que tá sempre na frente!

 - Mas eu estou.

 - Então prova.

 - Lembra aquela vez que você bateu mais forte pelo Paulinho?

 - Não queria, mas lembro.

 - Viu? Você é tão burro que até hoje lembra do Paulinho. Mas enfim… Lembra que eu disse que aquela mania estranha dele te ligar 1h a madrugada mostrava que ele não tava nenhum pouco a fim da nossa chefe? Que o coração dele nunca bateria que nem você?

 - Lembro mais ou menos. Isso eu fingi que esqueci. Na verdade só lembro do Paulinho quando toca Djavan.

 - Mentiroso! Você me faz mandar ordens para que os dedos fucem o Facebook dele quase todos os dias.

 - Não tenho culpa se acelero quando vejo recado daquela baranga…

 - Baranga? Coração, aquela loira era prima do Paulinho!

 - E eu com isso, Cérebro? Quem é mais esperto e detalhista é você. Não tenho culpa se não reparei que eles tinham o mesmo sobrenome. Você também não avisa!

- Você me desativou! Você sempre me desativa nesses seus momentos de desespero!

- É que você corta meu barato.

- Sei. E você me fez mandar a chefe dar o maior chilique na porta da casa dele! E ainda acordei todo dolorido de tanta tequila que tomamos para acalmar. Você não faz ideia o quanto tive que ouvir das pernas, depois daquele tombo que nossa patroa levou…

- A chefe gosta muito mais de mim. Olha, só, agora to super acelerado. Acho que o ex-namorado dela mandou mensagem.

- Você sabe que esse cara não te faz bem, não sabe?

- Alô? Quê, cérebro?

- Coração? Coração? Ta me ouvindo??

- Não, não escuto nada! Oi?? Alô, alô? Fala mais alto??? Desculpa, a ligação de veias está muito fra…ca!! Alôooo?

- Grrrrr! Você é um caso perdido! Detesto quando estou no meio do esporro e você me deixa falando sozinho. Depois não vem pedir que eu dê ordens para a chefe comer chocolate só para te aliviar. Nem vem.

Texto originalmente postado na minha Coluna Neura, lá no O Peixe Fresco. 

PS: Gente linda, nos próximos dias o blog não vai ser constantemente atualizado como de costume. Vem aí um projeto novo que tem me deixado muito feliz, ansiosa e com olheiras até as orelhas de não conseguir dormir. E o melhor: está sendo feito para vocês. Enquanto por aqui as coisas ficam um pouco paradas, vamos conversando lá no Twitter: @mabrafman.

PS2: Tenho recebido muitos e-mails referentes as dúvidas que respondo nas colunasD.R. e Cabecinha no ombro. Infelizmente, não consigo responder todos, além dos que escolho semanalmente para ambas. Mas continuem mandando. Sejam criativos e chorem com vontade no meu ombrinho. Eu leio todos e o seu pode ser escolhido para aparecer nas colunas. 


PS3: Obrigada pelo carinho, pelos comentários e críticas. Estamos aí para isso. Lembrando que eu sofria bullying quando era pequena. Não me mimem demais que eu fico chata. 


PS4: Agora é sério: obrigada de coração. As coisas estão acontecendo. Finalmente. 


PS5: Beijo, mãe! 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Mitos e verdades sobre morar sozinha



Mito: Você vira dono do seu próprio nariz.
Verdade: Você realmente tem que tomar mais conta do próprio nariz (como todas as outras partes do seu corpo, já que não tem a mãe para “lembrar” sempre daquelas consultinhas no médico), mas enquanto você não se banca totalmente sozinho e/ou ainda pede socorro para os seus pais quando a coisa aperta, metade do seu nariz ainda é deles.

Mito: O apartamento está sempre pronto para festinhas e reuniõezinhas.
Verdade: É muito gostoso receber os amigos em casa, mas só quem mora sozinho sabe o quanto é chato ter que limpar toda sujeira no dia seguinte. Um simples vinho entre você e mais três amigos consegue mudar todos os móveis da sala de posição. E no meu caso, não tem empregada todos os dias. Então, a Isaura sou eu.

Mito: Você não tem que dar satisfação para ninguém.
Verdade: Meu pai, minha mãe e minha avó me ligam todos os dias á noite. Se eu não ligo por dois dias, eles falam que eu estou sumida, ou aprontando alguma coisa. Acredito que só não precisamos da satisfação para os pais, quando de fato viramos pais. Enquanto isso, você vai continuar recebendo ligações e eles vão querer saber “onde é que você vai”. Uma coisa é verdade e é uma delícia: não é preciso mais chegar em casa na ponta dos pés.

Mito: Você é rico.
Verdade: Na verdade, estamos quase sempre pobres. Por mais rico que uma pessoa seja, em alguns dias do mês, a grana fica curta. Principalmente depois do aluguel. É sentir no bolso e de fato dar mais valor para o teto que te cobre, o cobertor que aquece e o papel higiênico que limpa. Se eu pudesse resumir a sensação, diria que morar sozinho é ter que comprar o próprio papel higiênico. Quando moramos com a família, tem sempre um reserva no armário. E nem sabemos como ele chegou até ali.

Mito: Você não vai ter que se preocupar sobre o que o seu porteiro pensa de você.
Verdade: Conquistar a simpatia do porteiro é muito mais importante do que parece. Primeiro, porque é ele que toma conta do seu prédio, das suas contas e é a primeira pessoa que um vizinho recorre caso precise fazer alguma reclamação de você. E segundo: um bom dia educado dele pela manhã faz toda a diferença. Bom, pelo menos para mim, que sou sensível. Portanto, não deixo de dar o panetone no Natal.

Mito: Tem sempre uma vizinha velha e chata.
Verdade: Tem sempre uma vizinha velha e chata.

Mito: Você vai aprender a cozinhar e a lavar roupas.
Verdade: Aprendemos um pouco a lidar com o fogão (ou morremos de fome). No meu caso, não sobra muito tempo para aprender receitas, então apelo sempre para delivery e comidinhas fáceis. Só almoço fora de casa e minha geladeira é mais vazia que geladeira de igreja. Quanto as roupas, a máquina de lavar é a criação mais linda do mundo (depois dos lençóis de elástico, é claro). O máximo que você aprende muito bem é a esticar as roupas no varal em quinze segundos e a economizar sabão em pó. Ô, coisa que é cara, viu.

Mito: Você sai do supermercado cheio de sacolas. E isso é super legal.
Verdade: Se você mora com várias pessoas ou tem o costume de fazer comida como já disse lá em cima, rola sim uma compra maior de super mercado duas vezes por mês. Caso contrário, sua melhor amiga vira a mulher do caixa de 15 itens. Eu nunca consegui comprar mais de duas coisas de cada. Já passei algumas situações engraçadas no mercado quando comprei duas cenouras e uma maçã. Ou um miojo e três limões. É que se eu levo além do que vou comer, fica parado na geladeira e estraga. E geladeira com coisa podre dentro é a coisa mais chata de limpar do mundo – depois do banheiro.

(continua...)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Carta para Mark



Chega, cansei! Precisamos conversar. Mark Zuckerberg, eu nunca gostei de você. Até fui ao cinema assistir o filme. Juraram que toda essa minha birra pré-histórica passaria quando te visse sendo interpretado por um cara bonitinho, e nada. Eu continuo te odiando de graça.
Você provavelmente já mudou a minha vida, se bobear o meu destino e me colocou em muita encrenca quando fez o Facebook. E eu não estou sendo dramática. Acho até que por sua culpa ainda não casei. (Leia isso com lágrimas nos olhos).
Por sua causa fico ansiosa a espera de uma mensagem inbox, atraso em uma média de sete dias qualquer tipo de paquera (até o cara resolver me adicionar já deu tempo de me confirmar em outros três eventos de outros possíveis três amores da minha vida) e tenho vontade de vomitar quando recebo uma cutucada. Pode acrescentar aí que eu também arrepio toda quando você me sugere adicionar o Pedro Henrique, que me fez chorar muito no recreio na sétima série, ou a Carolina que não conversava comigo só porque eu usava aparelho freio de burro. Sorte sua que ela está o triplo do meu peso. E o Pedro Henrique curtiu Molejo.
Sabe, Mark, minha vida seria muito mais fácil se a pessoa que eu conheci semana passada ligasse para o meu telefone fixo. Mas não. Você facilitou para ela que tem sérios problemas em contatos íntimos e dificultou para mim que acho um charme escutar a voz. Sem contar que deixou a coisa muito mais complicada quando eu e essa pessoa somos um casal e estamos inscritos na sua rede social. Ok que eu estou pouco me lixando para você, mas todos os meus amigos me ensinaram que se meu namorado não quer colocar que está em um relacionamento sério comigo, aí tem coisa. Eles também me ensinaram a não compartilhar a minha senha e a tomar muito cuidado onde faço login. Mas fala isso para o meu Iphone, Mark! A coisa fica ligada, é automático. Sobe até janela "push". Bobeou, e pronto, tô ferrada. Já pensou se um ladrão rouba e resolve escrever um blog com as minhas inbox? Putz! E se ele resolve recitar em praça pública minhas últimas conversas no chat?
Beleza, Mark, não estou brigando. Concordo com você quando diz que me ajuda pra caramba quando mostra que a vaca da ex dele vai estar no evento de quinta-feira, e por isso é melhor não ir. Mas na real, na real mesmo, você só está prejudicando minha formação social. É por culpa dessa sua ajuda que sou insegura socialmente. Se você não me contasse que a vaca estaria lá, eu não deixaria de ir à festa e seria mestre em encontrar pessoas que eu não quero ver nas baladas.
Outra coisa também tem me deixado meio chateada. Nessa eu até compreendo que a culpa não é somente sua. Tenho recebido convites para lugares que jamais freqüentei nem nos meus piores pesadelos. Nem naquele pesadelo que eu estou pelada na escola, estar em alguma dessas boates seria melhor. Promoters me convidam para uma média de dois eventos por dia – e isso não aumenta de nada minha popularidade, pois não faço ideia de onde eles surgem e em qual momento da minha vida aceitei a solicitação deles. Nessa você está perdoado, porque acredito que não planejou esse tipo de uso para a sua invenção. Mas e o aniversário da Luiza que eu só soube pelo telefone duas horas antes porque o evento privado que ela fez se perdeu no meio desse tanto de evento de pagode em letra maiúscula? Por essa eu não te perdôo jamais!
Olha que preferi nem jogar na sua cara a tal da "marcação" em fotos. Estudos apontam que 2 a cada 10 casais brigam por isso. Cara, na boa, como é colocar a cabeça no travesseiro sabendo que essa sua cara de anjinho, nerd e até meio sexy não passa de um disfarce de um destruidor de relacionamentos? (Desculpa, peguei pesado nessa, mas você mereceu).
Parece coincidência, Mark, mas enquanto escrevia esse desabafo, me convidaram para o "Último Ensaio do Axé Brasil 2012" e fui marcada em VINTE fotos completamente bêbada numa festa de comissão de formatura. E o Felipe? O Felipe estava online no chat, mas nem me cumprimentou.
Te odeio.

PS: Gente linda, nos próximos dias o blog não vai ser constantemente atualizado como de costume. Vem aí um projeto novo que tem me deixado muito feliz, ansiosa e com olheiras até as orelhas de não conseguir dormir. E o melhor: está sendo feito para vocês. Enquanto por aqui as coisas ficam um pouco paradas, vamos conversando lá no Twitter: @mabrafman.

PS2: Tenho recebido muitos e-mails referentes as dúvidas que respondo nas colunas D.R. e Cabecinha no ombro. Infelizmente, não consigo responder todos, além dos que escolho semanalmente para ambas. Pensando nisso, reativei meu Formspring, e duas vezes por semana respondo as dúvidas (resumidas, pelamor!) do pessoal por lá. Beleza? Corre lá e desabafa pra Má.

PS3: Obrigada pelo carinho, pelos comentários e pedradas no tuíter. Estamos aí para isso. Lembrando que eu sofria bullying quando era pequena. Não me mimem demais que eu fico chata.


PS4: Agora é sério: obrigada de coração. As coisas estão acontecendo. Finalmente.


PS5: Beijo, mãe!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Da série: diálogos com a minha mãe


- Oi, mãe. Diga.

- Filha, tá boa, né? Me lembra uma coisa... Você é da época dos Mamonas Assasinas?

- Sou, ué. Lembro quando eles morreram.

- Você lembra o ano?

- Não.

- Tadinhos, tão novos. Um acidente de avião horrível. Lembro que era um domingo. Eu escutei na rádio. Tadinhos. Sobrou nem um pedacinho.

- Tá mãe, preciso trabalhar. Só isso?

- Não. Você lembra das músicas?

- Claro. Algumas.

- É que eu to com aquela deles na cabeça “Complicada e perfeitiiinhaaa.. nananana”.

- Te amo, mami. Beijos.

- Tchau, amor!

(Nem falei que era do Raimundos para não contrariar. Dizem que a menopausa é um perigo...)

PS: Gente linda, nos próximos dias o blog não vai ser constantemente atualizado como de costume. Vem aí um projeto novo que tem me deixado muito feliz, ansiosa e com olheiras até as orelhas de não conseguir dormir. E o melhor: está sendo feito para vocês. Enquanto por aqui as coisas ficam um pouco paradas, vamos conversando lá no Twitter: @mabrafman.

PS2: Tenho recebido muitos e-mails referentes as dúvidas que respondo nas colunas D.R. e Cabecinha no ombro. Infelizmente, não consigo responder todos, além dos que escolho semanalmente para ambas. Pensando nisso, reativei meu Formspring, e duas vezes por semana respondo as dúvidas (resumidas, pelamor!) do pessoal por lá. Beleza? Corre lá e desabafa pra Má.

PS3: Obrigada pelo carinho, pelos comentários e pedradas no meu óculos de grau. Estamos aí para isso. Lembrando que eu sofria bullying quando era pequena. Não me mimem demais que eu fico chata.


PS4: Agora é sério: obrigada de coração. As coisas estão acontecendo. Finalmente.


PS5: Beijo, mãe!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Os homens que você deveria esquecer


O que te pede pra pagar a conta no (final do) primeiro encontro: Não estou sendo feminista ou machista. Estou sendo apenas sensata e já estou cansada de ouvir como termina este primeiro exemplo clássico. A maioria das mulheres são adeptas aos direitos iguais, e quem lê as minhas colunas sabe que sou defensora da divisão dos gastos e acho bacana a sinceridade de um cara falar ‘pô, to duro, preciso maneirar na grana’. Mas tudo tem limite, intimidade e hora certa. O cara te chama para um restaurante chiquerérrimo, vocês bebem vinho da safra de 1200 e bolinha, comem entrada, prato principal, sobremesa e café e ele só avisa que tem caranguejo no bolso na hora que a conta chega? Me desculpe, mas não vai rolar. Ninguém chama uma mulher para um primeiro encontro em um restaurante bacana sem como bancar, ou deixar explícito que ambos bancam. Aceite: desde a época da nossa avó é assim. A única solução é (ele) lavar os pratos.

O que adia o encontro porque está cansado do trabalho: O cara mora a três bairros do seu, o encontro está marcado há três dias e quando você já está passando o batom, ele liga para desmarcar e adiar para outro dia (ou simplesmente envia um whatsapp “chinfrim”)? Então deixa eu contar um pouco como anda o universo feminino. Nós também temos três reuniões por dia, conversamos com cinqüenta clientes pelo telefone, e ainda assim, arrumamos vinte minutos para ir ao salão e fazer as unhas com o laptop no colo respondendo e-mails. Neste mesmo dia que temos um trilhão de coisas para fazer e um encontro marcado, ficamos ansiosas e nos entupimos de café e levamos esporro do chefe porque geralmente ficamos com a cabeça na lua e enviamos o e-mail do cliente para o endereço errado. Não comemos a tarde inteira só para caber bonita no vestido e nos depilamos igual um cometa Halley no banho para outras coisas ficarem bonitas também. Receber uma SMS, um whatsapp ou uma ligação às 19h é um desaforo a doze horas de preparação física e psicológica.

O que tem namorada/esposa/rolo/rabo preso: Esse é fácil de explicar. Dois corpos não ocupam o mesmo espaço. E já basta uma mulher sofrendo, né? Pra quê duas?

O que te chama para jantar e ao invés disso te leva para a balada: Um encontro com um cara super interessante, charmoso, cheiroso e gentil á primeira vista, merece uma roupa nova. Uma roupa nova merece uns quilinhos a menos. Uns quilinhos a menos, merecem 24 horas comendo igual um passarinho (sim, somos loucas e às vezes e acreditamos na dieta á jato). E tudo isso merece um jantar que valha a pena não ter comido o dia inteiro + uma companhia super agradável que valha a pena acreditar que o amor ainda existe depois de tanto tempo quebrando a cara com homem zé ruela. Se o cara disse jantar e te levou para a balada de estômago vazio e você bebeu um copo de qualquer coisa com vodka só para socializar, o problema é dele. Quem vai ter que segurar a sua cabeça no final da noite enquanto você beija a privada é ele. Boa sorte (para ele).

O que não larga o telefone a noite toda: É muito bacana o fato dele ter um smartphone e vocês brincarem de Instagram tirando foto do sushi, fazer check- ins nos lugares bacanas que conhecerem e matar meio mundo de inveja do tanto que a vida de vocês é tecnológica e sintonizada. Mas tudo tem limite. Olho no olho é regra três. Telefone educado é aquele que fica ali, na mesa, ao ladinho da carteira. Celular que toca igual telefone de p*** é deselegante. E que não sai da mão também. A não ser que ele seja o Ashton Kutcher em época de estreia de filme. Aí nem eu me importo. E ainda ligo para o cara no dia seguinte.

O que briga no trânsito (ou o cara que dirige como se estivesse jogando Daytona): Não precisa ser mole igual tartaruga, não precisa correr demais igual papa-léguas. Homens não fazem idéia da quantidade de pontos que ganham com a gente ao sorrir, fazer um joinha com as mãos e deixar aquela velhinha de bengala passar. Brigar no trânsito além de ser perigoso, é desagradável. Ouvir palavrões, chiliques e faniquitos de um machão de 1,80m de altura dá vergonha. Está com pressa? Vai tirar carteira de moto. E não nos convide para ir na garupa.

O que só te leva para sair com a família: Conversar com aquela tia que fala demais, duas vezes, é tranqüilo. Agüentar as observações e olhares da prima baranga três vezes, dá também. Responder sem graça a avó que pergunta quando vocês vão casar e quando chega o bisnetinho, quatro vezes, rola. Conhecer os sogros rápido, então, tem mulher que sonha. Mas sogra legal é aquela que respeita o espaço, é gentil, e de vez em quando a gente esbarra com ela no corredor, sai para tomar um café, passear no shopping. Se conviver muito com a família da gente às vezes já é chato, imagina com a dos outros.

Enfim…Essa lista poderia ser infinita, mas é melhor que você descubra sozinha.

Texto de minha autoria, originalmente publicado no site Verdade Feminina.

PS: Gente linda, nos próximos dias o blog não vai ser constantemente atualizado como de costume. Vem aí um projeto novo que tem me deixado muito feliz, ansiosa e com olheiras até as orelhas de não conseguir dormir. E o melhor: está sendo feito para vocês. Enquanto por aqui as coisas ficam um pouco paradas, vamos conversando lá no Twitter: @mabrafman.

PS2: Tenho recebido muitos e-mails referentes as dúvidas que respondo nas colunas D.R. e Cabecinha no ombro. Infelizmente, não consigo responder todos, além dos que escolho semanalmente para ambas. Pensando nisso, reativei meu Formspring, e duas vezes por semana respondo as dúvidas (resumidas, pelamor!) do pessoal por lá. Beleza? Corre lá e desabafa pra Má.

PS3: Obrigada pelo carinho, pelos comentários e pedradas no meu óculos de grau. Estamos aí para isso. Lembrando que eu sofria bullying quando era pequena. Não me mimem demais que eu fico chata.


PS4: Agora é sério: obrigada de coração. As coisas estão acontecendo. Finalmente.


PS5: Beijo, mãe!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Da série: diálogos com a minha mãe


(No chat do Facebook)

- Oi, mãe

- Oiiiiiiiiiiiii

- Mãe, não precisa por esse tanto de I. Tá tudo bem aí?

- Tudo bom e vc

- Também, hoje o dia foi uma correria. Você fez o quê?

- Fui depilar, fui fazer a mão, fui na ginásica..........

- Que vida difícil!

- É.....................

- Mamis, preciso fazer uma breve descrição sobre mim para um site. De duas frases, coisa rápida. Me ajuda! O que eu escrevo?

- Inventadora de moda, jornalista e linda da mãe.... Tá bom né

- Mais ou menos. Fala mais.

- Questionadora da vida, indagadora, interauta, doida por chocolate, filha amada, idolatrada, salve salve, bisbilhoteira da vida alheia, contadora de casos e acasos e linda da mãe......

- Hahahahahaha, mãe, eu ri muito, todo mundo olhou.

- Eu também, estou bem humorada hoje...... Mas vc sabe que nem tudo que disse é verdade, certo

- Sei. Mãe, quando você pergunta algo, você precisa por a interrogação!

- Eu não sei onde fica e nem quero saber

- Mas assim os outros não te entendem!

- E dai...... Coloca ai: reclamona, sabichona, já leu o dicionário, linda da mãe.....

- Colocarei, mãe. Preciso ir, te ligo.

- Bjusssssssssssssssssss


(Amo demais...........)

terça-feira, 13 de março de 2012

Top 5: motivos para não participar de amigo oculto, amigo secreto, amigo invisível ou amigo X



1- Já é muito difícil presentear alguém que conhecemos muito, como nossos pais e avós. Presentear um amigo também é um pouco complicado. Em amigos ocultos, isso chega a ser quase impossível. Se for da firma, por exemplo, a chance de tirar a Cristina do RH que você nunca ouviu falar é enorme. Se for da faculdade, a de tirar aquele cara de dreadlock que vai à aula uma vez por mês, também. E o que você vai dar? Meias?

2 - Para piorar essa situação catastrófica de tirar um semi-conhecido, ainda te colocam um limite de 30 reais para presentear um semi-conhecido. É como já soubéssemos que brincar de amigo oculto é praticamente brincar de presentear uma pessoa que não conhecemos com um valor impossível de dar algo muito legal. Então vai um presentinho de trinta conto que está bom, né? E viva o porta-retrato.

3 - A última data que participei de amigos ocultos foi o Natal - e olha que eu nem comemoro, pois sou judia. Em amigos ocultos, ficamos meio sem jeito de dizer não e só aceitamos entrar para não pegar fama de mala. Faculdade, família de parte de pai, família de parte de mãe, agência... Acabei participando de quatro. Eu percebi que precisava aprender a dizer não quando quase me confundi e dei as calcinhas sensuais da colega de firma para o meu tio avô.

4 - Amigo oculto de páscoa engorda. Se você está de regime, você está ferrado. É humanamente impossível ganhar um Ferrero Rocher e não comer.

5 - E na hora de dizer algumas características da Cristina do RH para todo mundo matar a charada de quem é seu amigo oculto, como faz?

Coitadinha


Ela é daquelas que senta no sofá de espera do salão sem se olhar no espelho. As unhas são impecáveis, o cabelo meio enroladinho, a voz baixinha e suave. Aquela que você olha com expressão de nada e pensa: coitadinha.
Coitadinha tem namorado bom, pai presente, mãe amiga. Coitadinha visita a avó no feriado, faz bolo de laranja com calda de chocolate e só mostra decote quando coloca biquini. Aquela que senta invisível do lado do amigo do seu namorado. Você a encontra por acaso no banheiro – ela não precisa de amiga para ir ao banheiro junto – e pede sem graça um absorvente emprestado. Coitadinha é boazinha. Te faz sentir pena de tamanha ingenuidade. Te faz ficar desconfiada e logo se culpar. Desconfiar da coitadinha é crime. Ela é o tipo de mulher que não mata nem formiga.
Namora tranqüilo, ganha aliança de compromisso, bebe três litros de água por dia, escuta Chico, Marisa Monte e só usa vestido. Suas roupas estão sempre bem passadas, seus dias brilham igual o sol. Outro dia Coitadinha tropeçou e eu quis rir. Mas logo me culpei. Rir da cara de alguém tão boazinha, tão inha de tudo, que não mata nem pernilongo, é crime.
Coitadinha noivou com o bonito, rico, cheiroso e bom moço que é amigo de um amigo meu.
Recebi o convite de casamento com o nome da Coitadinha em letras douradas e inhas, do jeito que tinha que ser.
Coitadinha é aquela que me vê solteira, meio perdida amando o mundo, vivendo intensamente, e pensa baixinho de mim: coitadinha!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Para aquela


Para aquela mulher que acorda com a cara amassada, com a olheira nas costas e três reuniões na parte da manhã.
Para aquela mulher que faz passos de Michael Jackson quando recebe uma SMS, uma ligação no dia seguinte, um convite para jantar numa sexta à noite. E que para que tudo saia perfeito, fica o dia inteiro com um tomate no estômago.
Para aquela mulher que é inimiga das barras de chocolate, melhor amiga do Ponstan e faz de toda segunda-feira uma nova dieta.
Para aquela mulher que odeia o Paulinho, ama o Serginho e nunca mais olha na cara do Bruninho.
Para aquela mulher que faz as unhas no horário do almoço, reclama do chefe depois de uns drinks e é querida no escritório até pela moça do cafézinho.
Para aquela mulher que sofre para usar uma calcinha fio dental, acha que nunca vai usar um espartilho e é secretamente feliz usando uma calcinha bege.
Para aquela mulher que fuça o Facebook dele, odeia aquela vaca no Facebook dele e sorri de cantinho só de olhar que o relacionamento sério do perfil dele, é ela.
Para aquela mulher que só namora cafajeste, sofre de tanta ansiedade e faz da vida uma novela mexicana. Mas que diverte as amigas contando seus casos divertidos na mesa do bar.
Para aquela mulher que lida com gente importante, política e economia internacional. E, que no tempo que sobra, compra um blush na MAC para desestressar.
Para aquela mulher que não pode porque está naqueles dias, pode porque está naqueles dias e um dia já bateu palmas quando desceu a menstruação.
Para aquela mulher que joga a culpa nos hormônios, tem licença de maluquice uma vez por mês e fica brava quando escuta abobrinha no trânsito.

Para todas elas, todas nós... Feliz dia!

E também para aquele que sabe amar, cuidar, abraçar e valorizar essa complexidade muito simples, que fica feliz só de tê-lo ao seu lado. Todos os dias.

terça-feira, 6 de março de 2012

Fuck Friend (por Mr. Perfect*)


FF pra mim não significa Follow Friday, mas sim Fuck Friend. Tem gente que chama de PF, PA... mas pra mim é FF. Pra que servem, de que se alimentam, aonde vivem? Tudo isso e muito mais no Globo Rep... nah, aqui mesmo. Quero só deixar claro que este texto é para as mulheres. O maior texto que já escrevi para um homem foi semana passada, 189 caracteres em duas SMS, dizendo que ele era um grande amigo. Estava bêbado.
Mulher normalmente tem mais dificuldade pra entender o conceito da coisa, visto que é relativamente mais fácil para elas conseguirem sexo casual do que para nós homens. Mas o lance do FF não é sexo casual, é intimidade num sexo eventual. Até para nós homens a intimidade faz diferença na hora do sexo. Sério.
O cara que vai pra cama pela primeira vez com uma mulher desconhecida quer mostrar toda a sua performance. Que coisa chata. Ter que provar algo pra alguém é coisa de trabalho e não de sexo. A não ser você seja ator(atriz) pornô. Se não for, deve entender uma coisa: sexo é dividir uma experiência. E quem melhor pra dividir uma experiência do que uma pessoa que você curte?
Vai passar 10 dias na Europa... quem você chama? Um cara que conheceu há 10 minutos no shopping, ou um amigo que vai ter paciência de te esperar 3 horas numa loja de sapatos? Pensa por aí... o seu amigo vai ser atencioso. Vai conversar com você no dia seguinte. Vai te ouvir na hora e querer fazer gostoso, ao invés de querer ser o gostoso. Não vai sair contando pros outros, afinal você é amiga dele.
Além disso tudo, existe um lado “for fun” nessa experiência. Vocês podem conversar, entender e aprender mais ainda sobre sexo. Pode propor algo diferente que ele ao menos vai considerar. Pede pra ela fazer uma coisa que você sempre teve curiosidade, que ela até pode tentar. Ele não vai ficar chateado se você disser que prefere sexo oral de outro jeito e você não vai ficar chateada se ele pedir pra ficar de meia por conta do frio. Aliás, minto. Até eu fico puto com essa.

* Mr. Perfect não sou e nem meu alterego masculino. É um cara bacana e que sabe das coisas, que vez ou outra vai dar as caras por aqui

segunda-feira, 5 de março de 2012

Da série: diálogos com a minha mãe



- Mãe do céu, tô te ligando há dois dias, ninguém atende na sua casa, no seu celular. Assim você me deixa preocupada.

- Ih, Marcella, que desespero é esse? Eu tava no clube, tomando uma caipi com a turma.

- Isso hoje. Mas e ontem?

- Ontem eu fui no show do cover dos Beatles, só sonzão.

- Com quem?

- Com as meninas.

- Meninas, mãe??

- É! Minha turma de amigas, ué.

- Hum. E agora você tá indo onde, mami?

- Tô indo pra casa da Soraia, vamos fazer uma festinha.

- Hum. E no mais, novidades?

- Acredita que um coroa disse lá no clube que eu pareço ter no máximo, estourando, uns 35 anos???

(Acredito, mãe.)

((E ele diria que eu tenho 60))

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

De: cérebro, Para: coração


Me deu o maior medo. Eu já estava quentinha, no meio das cobertas, feliz da vida porque amanhã não tinha hora para acordar e veio. Bateu o desespero, caiu a ficha. Finalmente a mensagem chegou. Demorou, mas veio. Veio como aqueles cartões bregas e exagerados que você abre, toca música e voa purpurina e dá um desespero danado. Veio em letra maiúscula, fonte 270: "Coração, você se apaixonou. Um abraço nada apertado se não dói mais, seu Cérebro". Não consigo mais dormir.
Tenho vontade de te ligar e dar uma de louca como eu fiz quando estávamos no meio da pista de dança da boate se beijando e eu cortei clima perguntando se você estava arrependido. E você me olhou com cara de quem olha pra uma louca que não sabe o que está dizendo e disse "lógico que não". Tive essa mesma vontade. De ligar e dar mais uma de louca que não sabe o que está dizendo e perguntar se, por favor, pelo amor de Deus, por todos os santos que nós não acreditamos, eu posso me apaixonar por você. Depois de tantos anos, tantos desencontros e mandando em tanta gente, eu preciso saber se posso, se realmente posso, finalmente obedecer. Eu não sei se a sua ficha caiu que estamos juntos. Olha, eu preciso que você repita pra você mesmo essas palavras: estamos juntos. Você sente um negócio na garganta? Você é homem, é menos intenso que eu e sabe amolecer e endurecer o coração como ninguém. Mas me diz: também é difícil para você admitir que agora é meu?
Lembrei que você disse que não estava perdidamente apaixonado. Confesso que eu também não. Perdidamente é muito forte. Mas eu estou apaixonada. Diz a Bia, minha amiga, que homem só apaixona depois. Mentira. Eu nem acreditei. Mas eu fingi que acreditei. Vai vê é assim que funciona mesmo. Vai vê você daqui a uns dias se dá conta que isso é paixão. Veja só, comigo aconteceu quando eu estava pronta para dormir, pensando em pegar uma meia no armário. Quem sabe com você não acontece enquanto passa fio dental nos dentes? Nunca se sabe. Mas enquanto eu não tenho certeza de nada, preciso saber se posso. Posso pensar na gente? Programar você, encaixar você, limpar essa sujeira toda que tem aqui dentro e por você?
Já se passaram duas horas, vinte músicas, três sites de astrologia. Lembrei de um escritor amigo que fiz na internet, que veio outro dia me contar que tinha medo de perder a namorada. Eu achei meio bobo e respondi que ele corria esse risco desde o momento que a conheceu. Irônico. Eu sinto o mesmo medo ridículo dele. Meu medo é que você seja como aquela antiga eu, que se comprometia e logo jogava fora porque se achava mais incrível. Confesso que estou num beco sem saída. Você É incrível. Você é aquele tipo que eleva o nosso padrão de qualidade e ferra com a nossa vida se um dia sair dela sem pedir autorização. Fica difícil achar alguém tão incrível como você.
O engraçado é que eu não fiz nada, não gritei, não liguei, não mandei uma mensagem de texto psicótica louca, e esse medo passou. Ou tudo isso não passou de um surto de insônia, ou acabou de chegar a resposta do meu coração para o cérebro, mais ou menos assim: "Com todo respeito, chefe: eu agüento. Ou pode me chamar de coração mole".

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Pressa we go


Era um sábado à tarde. Eu dirigia tranquilamente, até passar na pista ao lado, atrapalhando o meu Radiohead que tocava baixinho, um playboy com um carro tunado, a 120 km/h. Era sábado e ele tinha pressa. É segunda e eu tenho pressa. Já é quinta e você também tem pressa. Pressa we go.
Aproveitei os últimos dias para reparar alguns momentos da minha rotina, que deixam claro que eu também faço parte dessa turma do “rush”.Para começar, percebi que o “desculpe, estava com pressa” funciona melhor que “desculpe, estou de TPM”. Mesmo que não seja a mais pura verdade, as pessoas acreditam. Afinal, o mundo está girando rápido demais, e se você parar para discutir se pode ser mentira ou se pode ser desculpa, bom... você perde tempo. Em segundo lugar ficou o dia que fui na padaria comprar um lanche. Eu me imaginei pulando no pescoço da mulher que demorou cinco minutos para digitar a senha do cartão de crédito na fila para pagar. Ela digitava lentamente, revezando um dedo na maquininha e outro na boca, raciocinando de forma bem zen qual seria o próximo número da senha. Errou duas vezes. E por fim, eu já me imaginava pulando no seu pescoço e praticando uma morte bem lenta. Ela estava de chinelo, de bom humor, de bem com a vida e não tinha pressa. Eu estava atrasada para voltar para a agência e tinha muita, muita pressa. E relatórios para entregar.
A terceira e última situação foi quando precisei marcar com o pintor para pintar duas paredes do meu apartamento. “Fechou, Ronaldo? Terça, às 10h?”, perguntei. “Combinado. Mas você se importa de me ligar na segunda às 20h para me lembrar? Pode ligar na terça às 8h também”. E tudo que vinha na minha cabeça era: será que Ronaldo acha que estou por conta dele e da pintura do meu apartamento? Pô, Ronaldo, colabora. Eu tenho pressa. E claro, eu me esqueci de ligar. E ele não foi.
Será que nessa pressa do dia-a-dia deixamos algo para trás? Ou somos deixados? De repente olhamos para o calendário e nos assustamos, como quem não correu léguas o ano inteiro. “Dezembro, Natal, mas já?”. Virei escrava de Mark Zuckerberg e sua falta de trejeito ao achar mais simples que as pessoas me eviem o que precisam falar por “inbox” no Facebook. Virei discípula de Steve Jobs, ao responder e-mails no meu IPhone, enquanto almoço.Tenho medo de deixar pessoas especiais serem pisoteadas pela correria. De não fazer aquela ligação, aquela visita ou ter tempo para desejar a um bom amigo os parabéns pessoalmente. Tenho medo também de esquecer de ligar para os meus pais, para minha avó ou para a dermatologista, para simplesmente desmarcar uma consulta. Como também tenho vontade que as horas voem, os projetos se concluem e que coisas boas venham a jato. Brigo com a rapidez, xingo as horas e logo, logo, faço as pazes e peço um pouco de tranquilidade e paz.
O mais engraçado é que o playboy que passou ao meu lado a 120 km/h teve que parar seu carro tunado no mesmo sinal que eu, e esperar os mesmos três minutos. Eu só não digo que a pressa é inimiga da perfeição, porque ele era bonito demais. Demais.

Crônica publicada na penúltima página da Revista Ragga #58, de fevereiro.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Da série: rapidinhas com meu melhor amigo homem


- Conheci um cara ótimo.

- Hum...

- Ele pegou meu telefone.

- Hum...

- Você pegaria o telefone de uma mulher que jamais gostaria de ver de novo?

- Acho que sim.

- Aff. Então para onde vão esse caras que pegam o nosso telefone e não ligam nunca mais? Pro Acre?

- Eles vão pro mesmo lugar dos caras bacanas que vocês colocam na "friendzone".

(cri cri cri)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Quando tudo é permitido, nada é proibido (por Mr. Perfect*)


Assunto de hoje: mesmice. A gente sempre tá reclamando de alguma coisa; se solteiros reclamamos da falta de companhia no domingo... se “comprometido”, reclamamos da falta de espaço no domingo. Reparou o “algo em comum” entre as duas coisas? A mesmice. A gente cansa rápido das coisas, pessoas e rotinas, por mais maravilhosas que possam parecer pra quem tá de fora.
Aí vem: o que fazer pra sair da mesmice? Pra quem tá solteiro, a resposta é fácil: faça o que quiser. Mas quem namora sabe que às vezes só podemos fazer o que o outro quiser. Sim, dividimos tudo em um relacionamento, até mesmo as decisões. Ninguém é tão autônomo quanto banca ser. Acredite em mim.
Então, invariavelmente, uma coisa que fica morna em um relacionamento é o sexo, afinal ele depende do outro. Pode ser por vários motivos, mas na maioria das vezes a coisa começa a ficar meio automática. Ela dorme na casa dele na sexta: comem qualquer coisa, vão pra casa, transam, viram cada um pro lado e dormem. Isso durante dois anos se torna mais previsível e esperado que osteoporose na velhice. Sério.
Quer ver seu parceiro feliz? Seja imprevisível. Não ao ponto de arrumar outro(a). Isso é desagradável. Mas seja imprevisível com ELE(a). Esse lance de que “Ah não, minha namorada é muito careta” é por que ela não tá relaxada com você, parceiro. Se você pensa “Mas se eu sugerir isso, ele vai me achar vulgar.”, te digo que não tem problema nenhum em ser vulgar na cama com ele. Aliás, ele quer isso.
Homens foram “educados” a base de filmes pornô. Mulheres foram educadas à base de aulas de balé. Não me chame de machista! Pode parar... sabemos que a sociedade pensa assim e não estou generalizando. Mas, porquê não juntar os dois mundos? Meu velho, propõe um tapa num lugar diferente, um lugar diferente ou um “lugar diferente”. Minha querida, faz um strip pra ele com a sua roupinha de balé!
Quando tudo é permitido, nada é proibido. Gosto dessa frase. Ainda mais que ela rima. Entre quem se gosta não tem que ter julgamento, errado, impróprio. Ninguém precisa ficar sabendo sobre o que vocês fazem! Aproveitem a cumplicidade de um relacionamento pra experimentar coisas novas. Mas comprem gelol.

* Mr. Perfect não sou e nem meu alterego masculino. É um cara bacana e que sabe das coisas, que vez ou outra vai dar as caras por aqui.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ninguém escapou


A TPM da Rainha:
Traga duas dúzias de macarons, uma garrafa de champanhe e diga ao rei que não quero vê-lo nem pintado de ouro.
A TPM da Cleópatra:
Traga dois colares de diamantes e três de esmeraldas. Diga a Marco Antônio para me trazer também a cabeça de César.
A TPM da índia:
Traga cereais, castanhas e frutas frescas. Diga ao cacique que estou indo caçar, para dar uma desestressada.
A TPM da Joana D'arc:
Traga um papel, pois preciso aproveitar essa ansiedade e escrever uma carta ao rei. Vou te contar, tá fogo, viu.
A TPM da Carmen Miranda:
Traga qualquer coisa, menos fruta. Que vontade louca de tirar essas coisas da cabeça, fazer uma mudança radical no visual, quem sabe colocar no lugar de frutas, chocolates?

A TPM de Eva:
Traga uma folha para que eu consiga tampar esses peitos inchados. Adão, você se importa de nos próximos dois dias ficar na árvore ao lado?
A TPM da dona desse blog:
Estou carente, comentem, elogiem, me amem.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Você e Pedro




Você e o Pedro ficaram

Você e sua amiga:
- Amiga, lembra do Pedro, que estudou com a gente na faculdade?
- Lembro. Gatinho.
- Fiquei com ele ontem na balada.
- Não acredito! Ele ainda toca violão? Como que ele chegou em você? Tinha muito amigo bonito? Pegou seu telefone? Já te ligou?

Pedro e o amigo:
- Lembra da Claudinha que estudou com a gente?
- Lembro... que que tem?
- Peguei ontem!
- Aaaah Malandro! Ela não tem umas amigas não?

Você e o Pedro foram ao cinema.

Você e sua amiga:
- Amiga, desculpa, não te atendi porque estava dentro do cinema.
- Com seu sobrinho?
- Não, com o Pedro. Inclusive tô te ligando do banheiro. Nossa, ele é lindo, gentil, carinhoso, educado e beija bem. Acho que tô apaixonada. Ai, não sei. Deixa eu desligar que ele pode desconfiar, tô demorando demais. Te ligo contando tudo depois.

Pedro e o amigo:
- Seu viado, pq nao me atendeu?
- Tô no cinema, porra! Com a Claudinha!
- A da semana passada?
- É.
- Ahhh, muleque! Me deixa orgulhoso então!
- Falou!

Você e o Pedro transaram.

Você e sua amiga:
- Rolou tudo, tudo, tudo?
- Rolou, amiga.
- Mentira! Me conta! Ele beija bem? Como é a cor da cueca dele? Boxer??? Ai, amo boxer...

Pedro e o amigo:
- Comeu?
- Aham!
- Doido. Me passa o controle.

Você e o Pedro começaram a namorar:

Você e sua amiga:
- Você não ia me contar? Não acredito! Tô muito brava!
- Desculpa amiga, foi agora, não faz nem dez minutos. Nossa, tô muito feliz!
- Eu também tô muito feliz por você! Já pôs no Face?

Pedro e o amigo:
-Tá namorando?
- Tô, bicho! Encoleirado!
- Fez bem, não consegue melhor nem a pau!
- Hahaha! Verdade! Bora marcar uma cerva!

Você e o Pedro terminaram:

Você e sua amiga:
- Ah, amiga, não fica assim. Ás vezes foi melhor. Não era pra ser. Lembra que a Susan Miller disse que ia acontecer uma reviravolta na sua vida, que só traria coisas boas?
- É. Mas ele não podia ter terminado assim do nada. Anteontem ele dizia me amava. Tá doendo demais. Não faz sentido. Eu achei que a mudança que a Susan Miller disse foi sobre trabalho.
- Tô indo praí e a gente faz pipoca, tá?
- Tá.

Pedro e o amigo:
- Cara... fica assim não... você ainda vai continuar vendo ela!
- Como assim?
- Eu tô ficando com ela...
- Hein?
- Brincadeira... Xbox?
- Fechou, tô indo praí!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

5 coisas esquisitas sobre mim


Tenho muitas ideias enquanto estou dirigindo sozinha, e por isso, dirijo com o gravador do celular ligado. A ideia de escrever este texto, por exemplo, estava gravada em um arquivo de três semanas atrás. Como se fosse uma auto-análise do meu comportamento enquanto ia da agência para casa. Coisa de gente esquisita – ou de jornalista desmemoriada.

Procuro saber todas as pessoas que estarão no lugar que tenho – ou quero – ir. Se não estou com vontade de encontrar a pessoa X, e ela provavelmente estará no lugar Y, me direciono ao lugar Z. Ou fico em casa, escrevendo textos esquisitos como este e lendo livros. Não sou uma boa stalker, então muitas vezes essa mania de ser controladora social dá muito errado. Aí, eu não esqueço nunca de levar um blush na bolsa – ninguém quer parecer pálida para uma pessoa X. E caso a pessoa X aparece de repente no lugar Y, eu sorrateiramente finjo que estou no celular. (Ensinarei melhor essa técnica qualquer dia desses...)

Todo mundo sonha três a quatro vezes por noite. Mas o normal é lembrar de um ou dois sonhos. Eu lembro de TODOS. Tipo, todos. Desde pequena é assim. Em noites de dez horas de sono, então, é um caos. E geralmente, quando eu sonho que briguei com fulano, não aguento nem olhar na cara do fulano como se nada tivesse acontecido. Então se eu fiquei chata do nada, e você não sabe porque, é só o sonho. No dia seguinte passa.

Não como nada de porco. Sou judia, então é basicamente por uma questão religiosa. O mais engraçado é a cara que as pessoas fazem quando eu nego bacon. Em compensação eu como muito chocolate. Não sei se bacon é tão gostoso quanto chocolate e vice-versa. Mas vale, né?

Tenho pânico nível 5 de elevadores. De qualquer tipo, que faça qualquer barulho. Desde criança, por culpa de um prédio que morei, que os meus vizinhos paravam o elevador nas divisórias dos andares. Eu ficava no fundo, suando as mãos e rezando para não cair. Nesse caso, o celular também sempre funciona quando entro com algum desconhecido. Uso também a tática de olhar para o teto. E dei a maior sorte, que o da agência tem televisãozinha mostrando a cotação do dólar. Eu penso assim: se eu morrer, pelo menos morri bem informada.